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daquilo que vibra

poesia, opinião e devaneios; ou tudo isso junto e temperado

quarta-feira, agosto 31, 2005

Para fechar o mês do cachorro louco


No elevador, dois velhinhos conversam:

- Tá com frio?
- Não, tô com medo do Lula.

Tenho um ataque de riso no elevador cheio, sozinha.
O que tem medo continua:

- É, agostinho é brabo, Getulinho se deu um tiro em agosto.
- É, deram um tiro nele.
- É.
- É.

E assim começa a minha primeira risada do dia.
Por que tem que rir muito mesmo.

Nota: Isso aconteceu no dia 24 de agosto, data em que o ex-presidente, Getúlio Vargas, se matou com um tiro no ano de 1954.

sexta-feira, agosto 26, 2005

Vão


A incompletude do desejo
Interrompe a espera vestida de colorido
E a vontade de roupa vermelha
O vazio é cor de pedra

Limpar o resto que um dia foi preenchido
Cuidar para deixar tudo em ordem
Levar apenas o necessário
Lavar a boca invadida
Devastar o infinito
Ir embora com o que sobrou nas mãos
Contar os pontos que brilham no céu
Não ter céu
Não querer chão
Caminhar entre o fim dividido em dois
Escolher
Pular fora antes que a tarde queime
Negar qualquer reação
Renegar um desejo outro
Completar os passos velozes
Pintar arco-íris nos olhos


Pra essa aqui a poesia da linda Fê Luz me inspirou, e como me inspira essa menina.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Arde

Aquilo que arde em mim tem um tempo de reprodução
Onde começa num sabor que a saliva absorve
E depois joga para o cérebro em forma de prazer...
Isso provoca tontura e faz perder devagar a visão e o foco
O foco fica embaçado
Tanto o do olhar como o da imaginação
O corpo inteiro começa a formigar
E aí já não abro os olhos
O que arde em mim sufoca
E quando o ar sai, ele sai quente
O que está ardendo é tão bom e tão forte que dói
Dói e ameaça doer muito mais
Aquilo que arde não tem rosto
Só pressão
Aperto no peito e estômago
Mistura gases e calor e queima sob a pele
Aquilo que arde queima e é anestésico
Porque depois vira morfina
Sossega
Senta e abre os olhos
Cala o grito
Aquilo que arde fica dias pelo meu corpo
Me perseguindo

quarta-feira, agosto 24, 2005

Quero escrever o borrão vermelho de sangue

Quero escrever o borrão vermelho de sangue com as gotas e coágulos pingando de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro com raios de translucidez.
Que não me entendam pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência que sempre me povoou,
o grito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,
não dei.
Mas aqui vai o meu berro me rasgando as profundas entranhas de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.
Quero escrever noções sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua: nada tenho mais a perder.

Clarice Lispector

E assim, na voz de Clarice, cumprimento aos que aqui chegarem,
para ler os meus escritos, e os dos quais admiro.